08/12/2014

PERDÃO: A depravação total e a necessidade do perdão - part.2

                                                                                                       Texto produzido por: Evelin Caroline




A QUEDA DO HOMEM

Quando Deus criou o homem, o fez do pó da terra e lhe deu a tarefa de cuidar do que Ele havia criado, disse ao homem que poderia comer dos frutos daquele lugar, menos o da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus viu que o homem estava só, então fez uma companheira que chamou de Eva. Adão e Eva moravam no Éden, possuíam uma vida perfeita. Até que um dia, ela se deparou com a serpente, a mais sagaz de todas, que a fez comer do fruto que Deus havia proibido, e ofereceu ao seu marido, que também comeu do fruto.

Desse dia em diante, a corrupção tomou conta do coração do homem, eles pecaram, e o pecado original se estendeu a toda a humanidade, uma vez que a obediência a Deus traria vida, vida eterna, e a desobediência, a morte eterna. Adão e Eva, os primeiros seres humanos da face da Terra, tentados por Satanás, desobedecendo a uma ordem divina, duvidando quanto à sinceridade de Deus, negando da veracidade de sua ameaça quanto à desobediência, trouxeram o pecado ao mundo.

O pecado de Adão e Eva contaminou toda a humanidade, de tal modo que os seres humanos passaram a sentir vergonha e medo, diante de Deus. A obediência do casal levou à expulsão do Jardim do Éden, a maldição foi carregada de dor e morte a todos os descendentes. As Escrituras Sagradas partem do seguinte princípio: “A atual desarmonia que, com frequência, torna o mundo um ambiente hostil para todos os seres vivos, é resultante da queda.” (Rm 8.20-23).

Adão e Eva pecaram. Mas qual é o significado de pecado? Quando se ensina sobre pecado para crianças, coloca-se diante delas que pecado é tudo aquilo que se vê, escuta, fala e faz que não agrada a Deus. Há uma separação entre a pessoa que peca e Deus. Adão e Eva sabiam que o ato de comer do fruto proibido não agradava a Deus, o pecado da desobediência trouxe a morte para a humanidade.

O Catecismo Maior de Westminster, na pergunta 24, diz que: pecado é qualquer falta de conformidade com a Lei de Deus ou a transgressão de qualquer lei por ele dada como regra à criatura racional. Diz ainda que: O pecado desse estado em que o homem caiu é por causa de Adão, onde a natureza se tornou corrupta, onde o homem se tornou indisposto, incapaz, inclinado ao mal.

O PECADO ORIGINAL

O pecado original é transmitido desde Adão a todas as gerações. Todos os que são concebidos depois de Adão e Eva nascem no pecado. Continuando no Catecismo Maior de Westminster, a pergunta 27 diz que a queda trouxe a perda da comunhão com Deus, o desagrado a Deus e maldição. Fala que nos tornamos filhos da ira, escravos de Satanás, expostos a todas as punições, neste mundo e no vindouro.

Os primeiros homens pecaram, Adão e Eva desobedeceram às ordens de Deus, ao comer do fruto proibido. Por esse pecado, perderam a comunhão com Deus e se tornaram corruptos, tanto no corpo quanto na alma. As Escrituras Sagradas dizem: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso desse mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.” (Efésios 2.1-3).

Por causa do pecado original, todos ficaram indispostos, com o coração inclinado a fazer o mal, e é por causa disso que no mundo há muita transgressão, o mundo está desesperadamente corrupto. O profeta Jeremias nos diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). Se o coração do homem se tornou corrupto, as ações dos homens se tornaram também; com isso, o mundo passou a sofrer pela corrupção. A Confissão de Fé de Westminster traz consigo doutrinas muito importantes para o entendimento da doutrina maior, que é a Palavra de Deus e, no capítulo VI, fala sobre a queda do homem, o pecado e o seu castigo. A CFW descreve no parágrafo V:

Esta corrupção da natureza permanece, durante esta vida, naqueles que são regenerados, e ainda que através de Cristo, ela seja perdoada e mortificada, contudo tanto ela quanto todos os seus impulsos são real e propriamente pecado. (HODGE, 1999, p. 162)

Romanos 5.12 diz que por apenas um homem o pecado entrou no mundo; através desse pecado, a morte, e esta passou para toda humanidade, porque todos eles pecaram através de Adão, tendo como consequência o pecado, a corrupção e a morte eterna. Depois do pecado de Adão, todos os homens passaram a carregar a culpa do pecado sobre si e as suas devidas consequências. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte passou por todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Com isso, a Confissão de Fé, no mesmo capítulo, no parágrafo VI, diz:

Todo pecado, tanto o original, como o atual, sendo transgressão justa da Lei de Deus e contrário a ela, torna, pela sua própria natureza culpado o pecador e, por essa culpa, ele está sujeito a ira de Deus e à maldição da lei; portanto, sujeito à morte com todas as misérias espirituais, temporais e eternas. (HODGE, 1999, p. 162)

O pecado que se originou em Adão trouxe para nós a triste realidade da morte. Está registrado em Gênesis: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:16-17).

A CONSEQUÊNCIA DO PECADO

Adão e Eva desobedeceram à grande ordem do Senhor Deus. Tinham uma vida tranquila no Jardim do Éden, plantavam, cuidavam dos animais, não existia tristeza e nem choro, era um lugar perfeito para viver. Mas Depois que houve o pecado, Deus os castigou. Então houve a intensificação do sofrimento: As dores do parto, a Terra se tornou maldita e o homem teria de trabalhar de forma muito mais árdua para obter o sustento para si e sua família. As Escrituras Sagradas dizem: “E a mulher disse: multiplicarei sobremodo, os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores dará a luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterá dela o sustento durante os dias de tua vida.” (Gênesis 3: 16-17).

É por causa do pecado que hoje há morte, sofrimento, inimizades, brigas, desavenças, entre tantas coisas que o mundo todo enfrenta todos os dias depois da queda. Como foi dito, o pecado leva à morte. Após a queda de fato houve morte, morte espiritual e foi inaugurada a possibilidade da morte eterna (juízo eterno condenatório de Deus, ou seja, inferno).

Depois que foram criados à imagem e semelhança de Deus, eles tinham plena comunhão com o Criador, mas logo após a queda, houve uma separação entre Deus e o homem, pois desobedeceram e isso levou à morte espiritual. E isso não se limita apenas aos primeiros habitantes da Terra, foi hereditário, eles eram nossos representantes aqui na Terra. Se eles pecaram, também pecamos. Sendo assim, o pecado que eles cometeram é nosso e se esse pecado leva à morte espiritual, também estamos condenados a morrer espiritualmente. Calvino diz:

O pecado original afigura-se, portanto, a hereditária depravação e corrupção de nossa natureza, difundida por todas as partes da alma, que, em primeiro lugar, [nos] faz condenáveis à ira de Deus; em segundo lugar, também produz em nós [aquelas] obras que a Escritura chama de “obras da carne” [Gl 5.19]. É propriamente isto [o] que por Paulo, com frequência maior, se designa apenas de pecado. As obras que, de fato, daí resultam, quais são: adultérios, fornicações, furtos, ódios, homicídios, bródios, [Paulo] chama, segundo esta maneira de ver, “frutos do pecado” [Gl 5.19-21], se bem que, como a cada passo nas Escrituras, sejam também por ele referidas simplesmente [pelo termo] “pecados”. (CALVINO, 1985, p. 10)

O pecado original nos levou a cometer outras ações que não agradam a Deus e isso ficou impregnado na natureza do homem e, por ele mesmo, não é possível sair. Tudo o que o homem faz é pensando em si próprio, não importa se o outro está indo bem ou mal. Isso é pecado, tudo o que o homem faz levado pelo seu coração enganoso e corrupto é pecado.

Depois da queda, todas as pessoas nasceram em pecado. Nasceram carregando a culpa pelo pecado original. Até as crianças, no momento da concepção (Sl 51.5), levam isso consigo. Carregam o pecado dentro de si. Por exemplo, um bebê de alguns meses já entende o que a mãe fala e quando faz algo que ela não gosta e proibiu de fazer, começa a fazer escondido. Quando começa a andar e alcançar as coisas mais frágeis, é ensinado para não fazer e ele teima, olha para ver se tem alguém olhando e começa a pegar o que não pode.

A natureza do homem é pecaminosa. O pecado não tomou conta apenas da sua mente, mas imediatamente tomou conta de seu coração. O homem foi “mergulhado” no pecado. Calvino fala que não somente a mente e o coração, mas é o homem por inteiro. O corpo inteiro foi depravado por causa do pecado, nenhuma parte ficou isenta disso. O apóstolo Paulo fala “Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Romanos 8: 6 e 8).

A natureza do homem é pecaminosa por inteiro, isso acontece desde o seu nascimento. Tudo aquilo que vem da carne tem como consequência a inimizade de Deus, ou seja, a morte. “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a essas, a respeito das quais eu vos declaro, como já outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.” (Gálatas 5.19-21).

E, por isso, também as próprias crianças, enquanto trazem consigo sua condenação desde o ventre materno, são havidas como culposas não por alheia [falta], mas pela falta de si próprias. Ora, se bem que ainda não hajam trazido à tona os frutos de sua iniquidade, têm[-lhe], no entanto, encerrada dentro de si a semente. Com efeito, sua natureza toda é uma como que sementeira de pecado. Por isso, não pode [ela] deixar de ser odiosa e abominável a Deus. De onde se segue que, com propriedade, [esse estado] se considera [como] pecado diante de Deus, pois que não haveria incriminação sem a culpabilidade. (CALVINO, 1985, p. 10 e 11)

No Salmo de Davi, ele reconhece que desde o ventre da sua mãe, ele já era pecador. Pois no Salmo 51, verso 5, ele diz: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”. Ele entende que o homem desde a queda tem necessidade do perdão de Deus, pois é pecador. Todas as gerações levam à culpa de Adão, a condenação por causa do pecado original. Calvino fala que a natureza do homem é como se fosse a semente, a fonte de todos os pecados. Por isso que é tão abominável a Deus.

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