09/12/2014

ORAÇÃO: Pai Nosso




Texto produzido por: Adilson Batista Borges Filho


JESUS E SEU MODELO DE ORAÇÃO – Mateus 6:9-15

Em uma ilustre demonstração de vida em oração, Cristo formula uma perfeita oração constituída de seis petições. Delas, duas pedem para que Deus glorifique a si mesmo e quatro petições são referentes à ação de Deus para conosco.

Nessa oração Jesus evidencia total submissão e dependência de Deus Pai. Na “Oração Dominical”, como popularmente é conhecida, pode-se extrair vários ensinamentos práticos. Em uma síntese, será trabalhado frase por frase dessa esplêndida oração. 

Pai Nosso, Que Estás Nos Céus

Se não fosse pela pessoa de Cristo, jamais poderíamos chamar Deus de nosso Pai, por isso nossa oração deve sempre terminar com a frase “Em nome de Jesus Cristo”, pois Ele sim é o legítimo Filho de Deus, mediante nossa filiação em Cristo nossas orações adentram ao Trono do Pai. 

A segunda expressão diz “Que estás nos céus”, quanto a isso Salomão declara: “Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei.” (I Re 8.27). Cristo, em sua oração, usou a figura do céu, porque nossa limitação não nos permite entendermos Sua grandeza e glória. Essas quatro palavras demonstram um Deus que está acima de nós, que não é mutável, nem limitado. Só nos resta entender que Deus está infinitamente acima da Sua criação e tudo o que há está sob o Seu domínio e imenso poder. (CALVINO, 2006, p.121).

Santificado Seja Teu Nome 

Aqui se encontra a primeira das seis petições realizadas na oração do “Pai Nosso”. O nome de Deus não se torna mais santificado ou menos santificado se orarmos. Essa frase é mencionada como um ato de reconhecimento e engrandecimento ao Ser de Deus. Calvino abordando sobre essas expressões diz:

[...] uma vez que pedimos que o nome de Deus seja santificado, nós lhe atribuímos louvor por todos os seus benefícios, defendemos e sustentamos que tudo lhe pertence [...]. (CALVINO, 2006, p.123).

Não podemos honrar a Deus como convém, pois em nós habita a limitação, imperfeição e fragilidade. Só nos resta pedirmos para Deus que através de sua graça, possamos ter a possibilidade de enaltecê-Lo pelo que Ele é, e glorificá-Lo consoante àquilo que conhecemos mediante as revelações naturais e sobrenaturais.

Venha Teu Reino 

Esta segunda petição tem um grande valor soteriológico (doutrina da salvação) para os eleitos, no qual o Reino de Deus ainda não foi implantado no coração. Também possui valor escatológico (doutrina dos últimos dias) para os eleitos, no qual, Deus aplicou mediante Cristo sua obra. O Catecismo Maior de Westminster na pergunta 191 diz:

[...] nós e todos os homens estamos, por natureza, sob o domínio do pecado e de satanás, pedimos que esse reino seja destruído, que o evangelho seja propagado por todo o mundo [...] que Cristo reine nos nossos corações, aqui, e apresse o tempo da sua segunda vinda e de reinarmos nós com ele para sempre [...]. (CATECISMO MAIOR DE WESTMINSTER, 2008, p.267).


Este é um sincero pedido em que os eleitos anseiam ardorosamente. Essa petição exige uma postura de ação, pois mesmo sabendo que não há como descobrir ou mesmo fazer algo para adiantar a vinda de Cristo, temos a certeza de que Deus confiou a responsabilidade de proclamar o Evangelho (Revelação de Deus, meio no qual Deus utiliza para resgatar seus filhos) para o Seu povo, sendo assim, essa petição tem grande valor soteriológico, pois seu pedido consiste na intervenção do reino da Deus sobre o reino de Satanás, (não como um dualismo, pois Deus é infinitamente superior à Satanás e seus anjos) para que ocorra um resgate daqueles que pelo Pai amou na eternidade.

A segurança que temos quanto à realização dessa petição está assegurado na pessoa de Cristo, Ele mesmo proferiu tal promessa no Evangelho de Lucas: “Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio”. (Lc 22.29). A ardente expectativa pela segunda vinda de Cristo deve nos impulsionar e nos despertar a levarmos a mensagem da cruz.

Faça-se a Tua Vontade, Assim Na Terra Como No Céu 

Nessa petição, nos colocamos perante o supremo regedor de toda criação, para que, da mesma que os céus Lhe submetem, a terra e tudo que nela há também venha a render-se perante a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2). 
O mundo se encontra em rebelião com Deus, e a humanidade luta para se aproximar dos maus caminhos, consequentemente distanciando dos caminhos de Deus, entretanto, o mundo não percorre seus maus caminhos por ser sua vontade maior do que a de Deus, antes, pelo fato de que o mundo desprezou o conhecimento de Deus, o Senhor mesmo “[...] os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes.” (Rm 1.28). Segundo Calvino essa petição consiste em Deus conduzir perfeitamente sua criação, como segue abaixo:

Segundo a sua vontade, governe e disponha todas as coisas, e conduza todos os eventos e os fins de todas as coisas, use como lhe agrade todas as suas criaturas e sujeite a si a vontade delas, para que obedeçam à sua. (CALVINO, 2006, p.124) 

O Pão Nosso de Cada Dia Dá-nos Hoje 

Nessa petição inicia-se a primeira das quatro petições na qual o foco é o suprimento de algumas necessidades humanas. Segundo o Catecismo maior de Westminster, nós perdemos em Adão todo privilégio de usufruir das bênçãos dessa vida, e que por causa do pecado, merecemos ser privados de tais benefícios, por isso, rogamos para Deus sua misericórdia demonstrada através do sustento diário daquilo que é nos é necessário, como, alimento, vestidura, habitação entre outras necessidades prioritárias do ser humano. (CATECISMO MAIOR DE WESTMINSTER, 2008, p. 272). 

Por menos credenciais que tenhamos em pedir o pão necessário, o Deus provedor tem prazer em nos ver sadios e abundantes de saúde para que O glorifiquemos nas mínimas bênçãos derramadas sobre nós, mesmo que seja “[...] uma fatia de pão e algumas gotas de água.” (CALVINO, 2006, p. 126).

Perdoa-Nos as Nossas Dívidas, Assim Como Temos Perdoado Nossos Devedores                

Essa petição de imediato nos trás a expressão dívida, evidenciando a justiça que Deus deveria exercer sobre nós, mas que foi aplicada em Jesus, possibilitando-nos o perdão tanto de Deus para nós, como nosso para com outros (possibilidade que não tínhamos antes de sermos transformados). Pela graça de Deus nossas dívidas foram pagas, pela graça de Deus temos a possibilidade, tanto quanto obrigação, de perdoarmos os nossos devedores.

A prática dessa petição promove a paz. Da mesma forma que Deus promoveu a paz conosco (através do sangue de Cristo), devemos nos empenhar em promover a paz com nossos inimigos, para que através dessa atitude cristã, elevemos o caráter de Cristo em nós. 

Calvino nos alerta para uma área de risco, segundo ele a condição “como nós temos perdoado aos nossos devedores” não foi inserida para que pensemos, que, por havermos perdoado alguém inevitavelmente mereçamos o perdão de Deus, a singela prática do perdão não pode ser utilizada como barganha com a pessoa de Deus, antes como Calvino diz: “Cumprir o dever não propicia méritos” (CALVINO, 2006, p. 130). 

Não Nos Deixe Cair em Tentação, Mas Livra-nos do Mal 

Há vários tipos de tentação, sabemos também que elas procedem dos nossos desejos ou de satanás, “[...] porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.” (Tg 1.13b). Satanás é bastante astuto, ao ponto de fazer tentação daquilo que em si nada tem de relevante.

A queda em uma determinada tentação produz desânimo, falta de esperança, perda da comunhão com Deus. Sendo assim, de forma preventiva, pedimos a Deus que Ele nos desembarace os pés de caminhos perigosos colocados diante de nós, pela astúcia de satanás ou pela nossa própria cobiça. 

Oposta à expressão “tentação”, temos o que Calvino define por “provação”, segundo ele “[...] não é sem motivo que o Senhor prova diariamente os seus, disciplinando-os por seu ensino, pela ignomínia, pela pobreza, pelas tribulações e por outras espécies de cruz.” (CALVINO, 2006, p. 131). Podemos definir tentação como algo colocado diante de nossas fraquezas (como por exemplo, no caso de José com a esposa de Potifar), a fim de nos afundar e nos subjugar ao pecado. 

Oposto à tentação, a provação ocorre corriqueiramente em nossas vidas, pois são situações que defrontam com nossas limitações, como por exemplo, situação financeira, relacionamentos fraternais e sociais, entre outras. Todavia, Deus em Sua imensa sabedoria e onipotência estrutura nossas provações de tal forma que elas não sobressaem nas nossas vidas a ponto de termos o direito de atribuir a Deus qualquer culpa. 

Deus tem um propósito na provação, na maioria das vezes tem por objetivo resgatar nossa dependência, confiança, exercício da fé e produção de perseverança (Tg 1.2).

Pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória Para Sempre. Amém.

Como sabiamente Calvino diz: “Aqui está o firme e tranquilo repouso da fé.” (CALVINO, 2006, p. 133). Não por alguma boa obra, não por alguma fagulha de expressão de bom caráter, mas tendo sempre em mente que é pelo Deus da glória e poder que devemos elevar nossas orações, tendo a plena e perfeita crença de que o soberano Reino de Deus permanecerá eternamente.

Por fim, a oração finda com a expressão “Amém”, ou, assim seja. Ao pronunciarmos o “Amém” realçamos nosso desejo (não com determinismos) de termos nossas preces atendidas pelo Pai. Com essa palavra Cristo finda seu modelo de oração.

Aplicabilidade do Pai Nosso

Cristo desenvolveu um modelo de oração a ser seguido e não um modelo para ser copiado por vãs repetições. Essa oração pode ser pronunciada, desde que com sinceridade, dando a devida atenção ao que se está sendo proferido e acima de tudo, aplicando suas verdades em nosso caráter cristão.

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