Adilson Batista Borges Filho
INTRODUÇÃO
Atualmente existem muitas teorias concernentes a formação do A.T, para estudar esse assunto é preciso cautela na escolha das fontes literárias. Duas observações são necessárias para introduzir esse assunto, em primeiro lugar, o Antigo Testamento, em termos de escritos, está mais distantes de nós comparando com o Novo Testamento, além disso, o Antigo Testamento possui menos manuscritos conservados do que o Novo Testamento.
Esse breve artigo aborda argumentos internos sobre a veracidade da bíblia. Apresenta também questionamentos que surgiram a respeito da autenticidade do Antigo Testamento. Fala ainda sobre a tradução da Septuaginta, Antiga Latina e Vulgata Latina e aborda também sobre os fatos históricos e as produções literárias do período interbíblico.
Em seguida, mostra o proveito que a Igreja Romana extraiu acrescentando os apócrifos no cânon bíblico, bem como as reações e movimentos provenientes do abuso da igreja. Por fim, é falado sobre a crítica textual que iniciou após o Concílio de Trento.
EVIDÊNCIAS INTERNAS DA VERACIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO
A própria Bíblia fornece para evidências internas da inspiração bíblica, para isso, é importante sabermos como a Bíblia interpreta a própria Bíblia a respeito da inerrância veteotestamentária.
Os israelitas, a saber, os profetas (Elias, Elizeu, etc) e líderes escolhidos por Deus, como Josué, já consideravam o Antigo Testamento como Escrituras provenientes de Deus e toda a nação submetia-se a estas leis.
Quando a nação de Israel pecava, os profetas exortavam aos desobedientes dizendo em nome de Deus, que eles haviam desobedecido a lei de Moisés. Os profetas acreditavam que as leis do Pentateuco eram provenientes de Deus.
No Novo Testamento, os escritores citavam com frequência o Antigo Testamento. O Evangelho de Mateus, escrito para judeus, inicia com uma genealogia iniciada em Abraão até Jesus, a fim de mostrar para os judeus que o Messias estava presente entre eles. O Próprio Jesus também atribuiu valor canônico ao Antigo Testamento (Lc 24:27), e por diversas vezes ele fez isso, em especial quando confrontava os fariseus.
O apóstolo Paulo (II Tm 3:16), apóstolo Pedro (II Pe 1:19-21), e os autor aos Hebreus também citam com frequência o Antigo Testamento. Muitas das figuras de linguagem utilizados em Apocalipse também são provenientes do Antigo Testamento (candeeiros, taças, cordeiro, trombeta, Babilônia). Em síntese, os autores do Novo Testamento não encontravam nenhuma dificuldade em atribuir valor inspirativo aos escritos veteotestamentário.
PERÍODO INTERBÍBLICO
O período interbíblico consiste nos 400 anos que o povo de Deus ficou sem profetas e profecias. Esse período contempla o intervalo do escrito de Malaquias, último livro do Antigo Testamento, até Marcos, primeiro livro escrito no Novo Testamento (em ordem cronológica).
Nesses 400 anos de silêncio, houve muita produção literária por parte dos judeus, literaturas históricas, religiosas, didáticas e de sabedorias.
Nesses 400 anos, os gregos tornaram-se uma potência mundial ao derrotar o exército da Pérsia e a cultura pensante grega foi disseminada de forma tal que veio a influenciar os judeus. Surgiu nesse período Antíoco Epifânio (215-162 a.C), um líder que aterrorizou os judeus ao tentar helenizar Jerusalém. Foi ele quem profanou o templo judaico ao sacrificar porcos no santuário e jogar os excrementos no templo, o mesmo estimulou a ira de Judas Macabeus e seus filhos, uma família judaica que revoltada com a profanação no templo, reuniu judeus não helenizados e iniciou uma resistência judaica.
SEPTUAGINTA
Foi a partir da septuaginta (100 A.C) que os apócrifos foram compilados junto com os livros considerados canônicos para os judeus. A septuaginta foi traduzida fora do centro canônico, ou seja, fora de Jerusalém.
Era desejo de Alexandre o Grande ter a maior biblioteca do mundo, a biblioteca de Alexandria, e nela deveria conter a Bíblia dos judeus traduzida para a língua grega, para essa tarefa de tradução foram convocados alguns judeus não ortodoxos, que influenciados pela cultura grega não deram o devido zelo na compilação da Bíblia e inseriram no cânon alguns apócrifos.
A LITERATURA APÓCRIFA
A revolta dos Macabeus teve grande repercussão na época, entretanto, a helenização já havia adentrado ao judaísmo. A partir da helenização de Jerusalém, muitos judeus começaram a produzir manuscritos, por causa da própria helenização, na LXX foi inserido livros apócrifos.
Dessa reação judaica surgiu o que hoje conhecemos por “Literaturas Apócrifas”, que possuem livros de sabedoria, pseudoepígrafo, literatura apocalíptica, literatura histórica etc. Os apócrifos foram uma resposta escrita aos helenistas, uma forma de afirmar a identidade judaica.
Os pais da igreja (período da patrística) também consideram o Antigo Testamento como Escritura Sagrada. Jerônimo, Agostinho, Lutero etc. Até o período da contra reforma, nenhum teólogo ou pai da igreja tinha levantado a possibilidade de aceitação dos livros apócrifos serem canônicos. Os apócrifos foram produções relevantes para o fortalecimento cultural da nação judaica, entretanto, nunca foram colocados no mesmo nível dos canônicos.
ANTIGA LATINA E A VULGATA LATINA DE JERÔNIMO
Após a LXX, a Antiga Latina foi produzida. Era uma tradução do grego (LXX) para o Latim, linguagem adotada pela Igreja Católica Romana, em seguida, Jerônimo recebe a função de atualizar a vulgata latina.
Jerônimo, filho de Eusébio (347-420 D.C) era teólogo e historiador dedicado na Teologia. Para a função de atualizar a Vulgata Latina, Jerônimo foi até Jerusalém a fim de desenvolver seu projeto. Ao deparar com judeus eruditos e com a literatura bíblica hebraica, Jerônimo percebeu que os livros “deuterocanônicos” não faziam parte das Sagradas Escrituras. Uma vez sabendo que os apócrifos não eram livros inspirados, Jerônimo escreve no prefácio da vulgata que os apócrifos possuem apenas valor histórico e cita os 66 livros inspirados, sendo eles, os mesmos livros confirmados na Reforma Protestante.
A LITERATURA DEUTEROCANÔNICA APÓS O CONCÍLIO DE TRENTO
A igreja Católica Romana no Concílio de Trento, na chamada Contra Reforma (Reunião da Igreja Romana para apresentar contra argumentações levantadas por teólogos protestantes) , acrescentou alguns apócrifos na Bíblia e as nomeou como sendo livros deuterocanônicos. Esse foi o meio da Igreja Romana de justificar e embasar os erros doutrinais que foram expostos pela Reforma Protestante.
A adoração a Maria é justificado no apócrifo de Judite, mas o principal apócrifo era o de Macabeus, pois ele justificava o purgatório. A doutrina do purgatório mantinha em alta as finanças da igreja. A igreja Romana pregava que era possível comprar o perdão e até mesmo a salvação.
A crença no purgatório dizia que se uma pessoa morresse, era possível que ela fosse salva e seus pecados perdoados, mas para isso acontecer era necessário que um determinado valor fosse pago para a igreja.
Em síntese, a doutrina do purgatório, baixa escolaridade social, manipulação da liderança, salvação exclusivamente por meio da igreja Romana e a excomunhão fora dela, era uma soma de componentes cujo resultado inevitável era grande lucro financeiro e influência política. Abrir mão desses benefícios não fazia parte dos planos da Igreja Católica Romana.
REAÇÕES NEGATIVAS NO PERÍODO APÓS A REFORMA
Após a Reforma Protestante muitas pessoas passaram a questionar alguns dogmas equivocados da Igreja Católica Romana, infelizmente esses ataques também foram direcionados para a Bíblia. Dentro da própria igreja, alguns teólogos foram além dos erros da igreja e começaram a questionar também a veracidade das Escrituras Sagradas. Um movimento estranho advindo do conhecimento que a Reforma produziu veio a ser contra a igreja romana.
Após a Reforma surgiram três grandes movimentos que foram prejudiciais para a fé cristã, no que se refere à crença da Inerrância e da Veracidade bíblica. A Renascença e o Iluminismo, junto com os racionalistas, lançaram teorias que confrontaram de forma direta os milagres da Bíblia. A partir desse período, todos os milagres e até mesmo a existência histórica de Jesus foram colocadas em dúvida.
BAIXA E ALTA CRÍTICA
Desde então existe a Crítica Textual ou Baixa Crítica e também a Alta Crítica, ambas analisam a Bíblia de forma quase empírica para testar a veracidade das Sagradas Escrituras.
A Crítica Textual analisa o estudo do texto sagrado. Tem por objetivo estudar os textos na língua grega e hebraica. A Crítica Textual preocupa-se mais com questões gramaticais, ocupando-se com a natureza verbal e histórica do texto. Ela também é limitada aos vocábulos, escritos bíblicos e pergaminhos.
A Baixa crítica também analisa o estilo literário do autor à luz do seu contexto histórico e, por base nesses estudos tenta definir a veracidade das Escrituras ou encontrar aparentes contradições que podem tirar a credibilidade sua credibilidade.
A Alta Crítica analisa de forma mais enfática o contexto. Estuda e observa os detalhes referentes a autorias, datas e circunstâncias. Este método também verifica as fontes literárias e a confiabilidade das histórias bíblicas.
A Arqueologia, Geografia e História são aliadas da Alta Crítica. Para definir a veracidade de eventos narrados é preciso ciências humanas assim como as ciências humanas também precisa da Bíblia, visto que por meio da Bíblia e seus relatos históricos e geográficos, grandes descobertas já foram feitas e certamente muitas ainda irão ser descobertas.

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