25/11/2014

UNÇÃO COM ÓLEO - part.1

UNÇÃO COM ÓLEO
                                                                                                                                                                  Adilson Batista Borges Filho




ORIGEM DESSA PRÁTICA

Alguns estudiosos como Robertson Smith acreditam que essa prática teve início em algumas práticas sacrificais de povos nômades (TENNEY apud HELMBOLD, 2008, p.1049). Robert afirma que: “A prática específica de ungir um rei é mencionada na Carta Amarna nº37, do séc. 14 a.C.” (TENNEY apud HELMBOLD, 2008, p.1047). Essa prática é descrita ainda nos primórdios da humanidade, em Gênesis (28.18) vemos Jacó ungindo um pilar que fora edificado em Betel, esse é o primeiro relato bíblico sobre uma unção.

UTILIDADES DO ÓLEO NO CONTEXTO SOCIAL DO PERÍODO BÍBLICO

O que podemos dizer com precisão é que o óleo tinha várias funções no contexto secular da época. Segundo o “Dicionário Enciclopédico da Bíblia”  e “Enciclopédia da Bíblia” a unção tinha por finalidade: alivio do sol intenso (Sl 104.15); ornamentação e embelezamento (Sl 104.15; Rt 3.3); cuidado medicinal e preventivo para com bebes e pessoas feridas (Ez 16.9; Is 1.6); Produção de perfumes misturando elementos aromáticos com azeite (2 Re 20.13; Mt 26.7); gerar emprego (perfumista) para quem o fazia (Ne 3.8). Esse rito também tinha um valor implícito em momentos de alegria (Sl 47.7); comunhão (Sl 133.1-2). Tanto o é assim, que a ausência do óleo caracterizava em uma triste cena de luto (2 Sm 14.2).

USO SAGRADO DO ÓLEO NO ANTIGO TESTAMENTO

Embora a utilidade do óleo fosse comum no contexto secular, vemos que Deus eleva esse rito para um fim santo e santificador. A unção no aspecto bíblico tem a função de separar ou consagrar algo ou alguém para um ofício sacro-santo. 

Embora a utilização do óleo fosse comum para aquela época, Deus manda a Moisés preparar um tipo de óleo distinto dos demais, um óleo especial e com ingredientes caros. Esse óleo não poderia ser reproduzido por ninguém e quem desobedecesse a essa ordem certamente morreria (Ex 30.33).  
No texto de Êxodo (30.22-33), Deus dá discrições dos componentes necessários para a fabricação do óleo da unção (Vs. 23-24), Deus ordena que ele fosse utilizado sobre a tenda da congregação, arca do Testemunho, mesa e utensílios e a bacia juntamente com seu suporte (Vs. 26-28). 

No Antigo Testamento o ato de santificação deveria ser realizado por algo visível, no caso, a unção. Uma vez que o objeto era ungido ele se tornava santo, não somente tornava santo como também santificava (Ex 30.29). A unção como já visto tinha por finalidade fazer separação de algo consagrado para um fim santo e essa separação se dava para alguns ofícios veteotestamentários.

PESSOAS UNGIDAS

No período de monarquia do Antigo Testamento ocorria de quando um rei assumia o trono, sobre sua cabeça era derramado o óleo, quem realizava esse ritual era um sacerdote ou um profeta (I Sm 10.1; I Re 1.39). Quanto ao ofício sacerdotal, em sua maioria, a posse era realizada mediante unção, na Bíblia há vários relatos sobre esse momento específico (Lv 4.3; 16.32; 21.10). Os profetas também eram ungidos. Um caso diferente foi o de Elias e Elizeu em que não consta um solene momento de unção, dando a entender para alguns teólogos como Père de Vaux, que quando o espírito de Elias foi concedido para Elizeu, cumpriu-se o ato da unção.

O MESSIAS

Os três ofícios veteotestamentários apontavam para o Messias que haveria de vir. Wilson de Castro Ferreira em seu livro “Teologia Bíblica” diz que: “A palavra Messias provém do Mashach, traduzida na Septuaginta, na maioria dos casos por Kyrios, Senhor, especialmente no sentido cerimonial. A palavra Messias, no entanto, significa ungido, que se trata no grego por Cristo” (FERREIRA, 1997, p.72).

Cristo não carregava sobre si apenas um ofício, por levar sobre si os três ofícios, significa que ele era o Ungido. Cristo era o Rei dos reis (Sl 2.6-12).Nele estava contido a expressão máxima do ofício profético, pois o profeta falava a Palavra do Senhor e Cristo é a Palavra do Senhor, Ele é o verbo de Deus (Jo 1.1-2). Ele também é o Sacerdote supremo, pois, mediante Sua obra que hoje temos livre acesso a Deus Pai.

PENTECOSTES

Cristo ao vir em forma humana, cumpriu toda a lei e expandiu a lei para um aspecto intelectivo e vivencial, não apenas ritualístico e visual. A lei não foi abolida de forma alguma, mas certos ritos foram substituídos com a vinda de Cristo, a páscoa foi substituída pela ceia, a circuncisão pelo batismo, o sacrifício de cordeiros por um único sacrifício perfeito de Cristo. 

Com esse breve panorama podemos então explanar sobre o pentecostes (descida do Espírito Santo). Tendo por certo que a unção tinha por finalidade separar algo para um fim sagrado, o pentecostes cumpriu essa função de forma muito mais ampla. 

Uma vez que o Santo Espírito habita na vida do eleito, Ele trabalha para que a pessoa tenha sua vida voltada, santificada e separada por completo para Deus (I Co 3.16-17). Portanto, a unção do Espírito é um ato único que se dá por meio da regeneração. Assim sendo, a unção do Espírito é o próprio Espírito aplicado no eleito mediante a obra redentora de Jesus, o Cristo.

Com o Espírito Santo habitando em nós e não em construções ou objetos, certamente é descartado o uso do óleo em objetos ou localidades com o fim de os santificarem, pois uma vez que somos transformados por Deus, essa transformação influencia o ambiente  ( II Co 6.14-15). Outra possível unção nos dias de hoje seria para a posse de ofícios eclesiásticos, mas esse rito foi substituído pela imposição de mãos no Novo Testamento. A única possibilidade que sobrou foi para fins medicinais, mas tal finalidade não leva nenhum encargo espiritual.

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