24/11/2014

POR QUE NÃO SABEMOS O "PORQUE" DO SOFRIMENTO? - Estudo baseado na posição do Dr. William Lane Craig sobre o Problema do mal


PROBLEMA DO SOFRIMENTO

                                                                                                                                        Adilson Batista Borges Filho


Dor e sofrimento são um dos maiores obstáculos emocional e intelectual para se deixar de acreditar em Deus ou então duvidar da amplitude de Seu poder. Não é difícil encontrarmos pessoas que ao se depararem com o sofrimento, envolvem em uma crise emocional tão profunda que a sua imediata reação é fugir da presença de Deus, ou até mesmo questionar sua existência, nestes momentos alguns pensam que Deus é menor do que o problema, ou então que Deus não se importa com os problemas de suas criaturas, outros vão mais além e dizem que não pode existir um Deus porque se não, Ele faria algo para impedir o sofrimento.
Talvez alguém aqui já tenha questionado Deus dizendo: Porque isso foi acontecer Deus? Porque tamanha tragédia? Porque tamanho sofrimento? Porque temos que sofrer? Essas perguntas requerem respostas que estão além da nossa mente limitada. Como explicar uma criança morrendo de fome? Como explicar um jovem morrer por causa de uma bala perdida?
Por toda Bíblia vemos registro de cristãos sofredores. Homens como Jó, José, Estêvão faz com que tenhamos a certeza de que há um propósito específico para cada sofrimento, podemos concluir ainda, que na maioria das vezes não é bom sabermos o porque do sofrimento. Esse estudo tem por objetivo fazer com que tenhamos a consciência de que a Graça de Deus já nos basta. Duvidar ou questionar Deus não é uma decisão sábia.Crer em Deus, por irracional que pareça é sem dúvida a nossa melhor escolha. Três argumentos são propostos para que possamos responder a seguinte pergunta.

POR QUE NÃO SABEMOS O PORQUÊ DO NOSSO SOFRIMENTO?

1-      O UNIVERSO SE TORNARIA UM CAOS.

Toda ação nossa produz uma reação, podemos controlar nossas ações, mas não temos ideia do que há de vir após nossas decisões. Imaginem se Deus tivesse que explicar para um senhor de idade, os motivos dele ter caído de uma escada? Usando a imaginação seria mais ou menos o seguinte: Você caiu da escada para beneficiar um médico recém-formado que ganharia uma bolsa após realizar essa delicada cirurgia no tornozelo, essa bolsa faria dele um Doutor que posteriormente ensinaria vários alunos que realizariam várias cirurgias, salvando assim diversas vidas.
Se assim fosse, passaríamos toda nossa vida aqui na terra ouvindo as conseqüências de nossas atitudes. Não faríamos nada além de ouvir. Somente Deus pode planejar o sofrimento, porque somente ele pode conhecer os benefícios da dor quando aplicados no momento certo e na dose certa. O espinho na carne Paulo fez com ele não se ensoberbecesse (II Co 12:7); Em (Jo 9) conta a história de um cego de nascença que depois de anos sofrendo foi curado por Jesus, no (Vs.3) diz que ele nasceu cego para que no devido tempo ele fosse curado por Jesus e muitos conhecessem as obras de Deus.
O sofrimento que Deus trás para nós não é sem razão, assim como nossos momentos de alegria. Já dizia Salomão que tudo tem seu tempo determinado, inclusive o tempo para chorar, prantear e aborrecer (Ec3). Em primeiro lugar, nós não sabemos o “porque” do sofrimento, porque se soubéssemos o mundo viraria uma bagunça. Em segundo lugar, não sabemos os motivos do sofrimento porque:

2-      PODE NÃO HAVER NADA DE BOM SE DEUS DISSER O “POR QUE” DO SOFRIMENTO.

O conhecimento do “por que” pode um trazer ressentimento da pessoa para com Deus, pelo fato de que a pessoa pode não achar justo. Quanto a isso devemos considerar que nosso campo de visão a respeito do mundo (cosmovisão) é muito limitado se comparado com o de Deus, e assim sendo, não entenderíamos as reais implicações de um sofrimento.
Somos por natureza egoísta, e para muitos é inconcebível a idéia de alguém ter que sofrer para que outros se beneficiem com isso. Ao conhecer os “porquês” do sofrimento, daríamos início ao jogo chamado “tire o cisco do olho da outra pessoa”.Um bandido matou seu pai, imagine se Deus fosse te explicar que o seu sofrimento fez com que o assassino do seu pai se arrependesse e entregasse sua vida para Cristo.Você ou eu rebateríamos Deus dizendo: Mas porque o meu pai? Não poderia ser outro bandido? E certamente o jogo “tire o cisco do olho da outra pessoa” começaria.
Alguns provavelmente taxariam Deus de injusto ou até mesmo o acusaria. Sem dúvidas, nossa natureza não aceitaria essa lógica, porque ninguém gosta de sair no prejuízo. Na Bíblia há um caso semelhante a este.
Em (Jo 11) narra a morte de Lázaro. Quando Lázaro morre Jesus estava em outra cidade, ao ficar sabendo Jesus vai até o funeral de lázaro. Nesse cenário havia uma mulher chamada Marta, irmã de Lázaro e amiga de Jesus. Marta sabia que Jesus era Deus e sabia também que o poder de Jesus era infinito, e foi por isso, que ao ver Jesus as primeiras palavras de Marta foram: “Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. (Jo 11: 21).” Marta acusou Jesus apenas por que ele não evitou a morte de Lázaro. Imaginem se Jesus dissesse para Marta que Lázaro teria que ficar morto três dias, para que depois desse período ele o ressuscitasse e todos o reconhecessem como sendo Deus, Marta ficaria histérica. Provavelmente alguém diria coisas como: Jesus, você está brincando com meus sentimentos, ou então, isso é injusto, porque você não faz isso com um desconhecido? Por que você me deixou sofrendo por três dias?
De fato, não haveria nenhum benefício em saber os motivos do sofrimento, por que a vida é para ser vivida e não explicada. Em (Is 45:9) Deus já nos advertiu que há certos questionamentos que são pecaminosos. Em (Jó 38) Deus faz uma série de perguntas para Jó, a fim de provar que a sabedoria do homem é limitada em relação à de Deus. É inteligente absorver o fato de que nosso conhecimento é deveras limitado.

SE SOUBÉSSEMOS NÃO AGIRÍAMOS OU ENTÃO AGIRÍAMOS DE FORMA DIFERENTE COM A VONTADE DE DEUS TENTANDO EVITAR O MAL.

Pode ser logicamente improvável para Deus nos dizer as “razões” do sofrimento, porque se Ele falar com antecedência, poderíamos agir de forma diferente do que Deus havia planejado, assim sendo, os eventos futuros que surgirão proveniente dos eventos presentes, não mais acontecerão, ou se acontecer, serão de forma diferente e Deus não seria soberano. Se Deus dissesse os “porquês” dos sofrimentos após os eventos já acontecidos, algumas pessoas, cegas pelo egoísmo, jamais absorveria tal realidade. Além do mais, após as explicações dos porquês, efeitos colaterais como depressão, angústia, síndromes e até suicídios seriam freqüentes, pois o ser humano, em sua maioria, não possui bom preparo emocional.
Sabendo você que sua família teria que morrer, para que mediante todo esse evento uma outra família, ou apenas uma pessoa fosse salva em Cristo Jesus, você mesmo assim executaria o plano em perfeito? Ou se você soubesse o porque após eles terem morrido, você saberia administrar suas emoções e reações?
Deus não seria soberano se nós não o obedecêssemos, Deus não seria de fato Deus se Ele pudesse ser manipulado. É muito comum tentarmos manipular Deus por conhecermos seu grande poder. Não é raro ouvi orações que visam uma negociação com Deus, se “Tú fizeres isso, eu farei aquilo”. Deus não se colocou ou prontificou a nos servir, pouco ele exige de nós e não há nada nesse pouco que diga: Me manipule. Nossa vida é para glória de Deus. Há boas razões para que nem sempre saibamos os “porquês”. É necessário saber que aprouve Deus, em sua rica sabedoria, omitir alguns porquês para a humanidade e deixar evidente outros, mas no fim, tudo acontece para Sua Glória.


3-      CONCLUSÃO

O que Deus fez por nós, foi nos dizer de forma geral que podemos confiar n’Ele enquanto passamos pelo vale do sofrimento, confiando que quando chegarmos ao céu, teremos uma recompensa imensuravelmente maior do que os sofrimentos dessa vida. Deus disse para Paulo e isso se estende à nós Filhos de Deus: A minha graça te basta.

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