27/11/2014

BATALHA ESPIRITUAL: Estudo baseado no livro "Batalha Espiritual" - Augustus Nicodemus

Adilson Batista Borges Filho



INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem como objetivo conhecer um pouco mais sobre o movimento denominado “batalha espiritual”, um movimento que vem tomando cada vez mais espaço no meio cristão.
Será que a “batalha espiritual” tem suas atitudes arraigadas nas Escrituras? O que podemos tirar de proveito? O que devemos reter das praticas desenvolvidas por este movimento?

1. HISTÓRICO

O movimento denominado ‘’ batalha espiritual ’’ teve suas origens no começo do século passado pelo missionário James O. Fraser que trabalhou na China numa tribo chamada Lisu, um povo totalmente envolvido com magia negra. Segundo Augusto Nicodemos em seu livro “ Batalha Espiritual” (, Fraser adotou algumas técnicas como dar ordens para os demônios com a finalidade de libertar os Lisu do poder maligno, Fraser ficou convencido de que suas técnicas funcionavam pois davam resultados. Fraser teve um trabalho no anonimato até que em 1956 a esposa de Haward Taylo (médico missionário que morou na China) publicou um livro sobre sua biografia.  

2. RAMIFICAÇÕES DO MOVIMENTO “BATALHA ESPIRITUAL”

O movimento de “batalha espiritual” expandiu muito nas últimas décadas, dentro desse movimento há várias ramificações. Para conhecimento histórico citaremos a respeito dos principais apêndices do movimento de “batalha espiritual” baseado no livro de David Polison ‘’Encontros de Poder’’. (LOPES,1997,p.28)

2.1. CARISMÁTICOS

Os carismáticos tomaram por referencia o livro ‘’Livra-nos do mal’’ escrito por Don Bashan, esse grupo enfatiza muito fenômenos misteriosos, crêem que por trás de cada árvore existe demônios. Essa linha defendeu popularmente o movimento de ‘’ batalha espiritual ’’. (LOPES,1997,p.28)
Seus conceitos foram moldados como aquilo que ficou conhecido como a “primeira onda” ou Pentecostalismo. Os carismáticos defendem a idéia de que um eleito pode ficar possesso por espíritos maus. (RIFFE, 2008.)

2.2. DISPENSACIONALISTAS

 Os dispensacionalistas , segundo grupo do movimento de ‘’ batalha espiritual ’’, não dava tanta ênfase na parte mais mística, era uma linha menos fanática que enfatizava o aconselhamento pastoral e a oração para os oprimido. Mark Bubeck e Merril Unger são os mais conhecidos no que se refere a esta linha. (LOPES,1997,p.28)

2.3. LINHA MAIS MODERADA

É representada por Neil Anderson, Timothy Warner e Ed Murphy, essa linha não enfatiza os “encontros de poder” nem o sensacionalismo, crêem que através do conhecimento da Verdade pode haver uma mudança e libertação  individual. (LOPES,1997,p.28)

2.4. NEOPENTECOSTALISMO

O Neopentecostalismo tem ganhado muito espaço no meio cristão. Há nesse movimento uma grande ênfase nos milagres, ela sempre foca o crescimento da igreja e defende um ensino que afirma ter "espíritos territoriais", ou seja, de acordo com a incredulidade dos cidadãos os demônios atuam em regiões especificas. Essa linha afirma e enfatiza também a ‘’quebra de maldição hereditária’’, ou seja, um individuo pode herdar de um antepassado, uma doença, vício ou pecado, essa linha tem como resolução para estes problemas a quebra de uma suposta maldição.   (LOPES,1997,p.28)

3. O QUE O MOVIMENTO DE “BATALHA ESPIRITUAL” PREGA?

3.1. TODO MAL É DEMONÍACO

Um dos mais graves erros desse movimento é a crença de que todo mal é fruto de ações demoníacas, crêem que os demônios podem se instalar na vida de um cristão, num sistema político e tomar conta de determinada área geográfica, tornando então o diabo apto e responsável pelo sofrimento, dor e miséria que nos assola, responsável também pelo mal moral que se encontra por todos os lados, crêem também que o coração do homem é cheio de pecado e que nessa brecha os “demônios do pecado” atuam influenciando a humanidade, isentando assim qualquer atitude errada de caráter individual e isentando também a possibilidade do potencial humano para fazer o mal sem qualquer influencia. Sendo assim, para acabar com essas influências a única solução possível é um confronto direto para expulsar as hostes malignas.(LOPES,1997,p.31)

3.1.1. Refutação

No Evangelho de João 9:2-3 Jesus declara que aquele homem não era cego por seus pais terem pecado ou até mesmo por ele ter pecado, sua cegueira era para manifestar a obra de Deus, o erro está em desviar o foco do plano de Deus para uma ação satânica.
Jó é de fato o maior exemplo para contestar essa falsa idéia de que todo o mal é demoníaco. A Bíblia de Genebra (ALMEIDA, 2009, p.648) mostra que Deus é bom e soberano, e que o ser humano não pode entender os planos de Deus.
O diabo está sujeito e submisso ao Seu Criador, ele atua conforme Deus quer, Deus é soberano sobre ele, e como um Ser soberano Ele é que delimita a ação de satanás, exemplo disso é que satanás não tocou em Jó antes do diálogo com Deus. Nem todo mal gera mal, nem todo mal é proveniente de um mal, como vimos acima o cego referente ao texto de Jo 9:23 foi um instrumento para manifestação da glória de Deus.

3.2. O CRISTÃO E A POSSESSÃO DEMONÍACA

Mesmo com a Bíblia nos apresentando textos bem claros que comprovam a impossibilidade de possessão demoníaca em pessoas salvas, alguns estudiosos defendem que um salvo pode sim ficar possesso.  
Neil Anderson um ensinador bastante popular na área de batalha espiritual, foi o chefe do Departamento de Teologia Prática na Talbot School of Theology of Biola University. De acordo com o site pesquisado, Anderson chega a afirmar que cerca de “85% dos cristãos são dominados por satanás em algum grau.” (SILVA, 1998). Um absurdo determinar até a porcentagem de demônios, mas isso que é afirmado atualmente.

3.2.1. Refutação:

Gostaria de lançar alguns textos bíblicos para refutar de forma honesta esse ponto de vista adotado pelo movimento denominado “batalha espiritual”.
"O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor." (Colossenses 1:13)."Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1 Coríntios 6:19). “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.”(1 João 5:18). "Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno." (2Tessalonicenses. 3:3). "Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo." (1 João 4:4).

Uma vez que a salvação é aplicada em uma pessoa, ela é retirada das trevas e transportado para o Reino de Cristo, a regeneração é um ato único. Quando a salvação é manifesta, o eleito passa a ser templo do Espírito Santo e a partir desse momento ele tem a possibilidade de viver longe dos caminhos do mal. Mesmo que por algumas vezes o pecado prevaleça, o Espírito Santo mostra ao eleito o que está errado e o próprio Espírito Santo conduz a pessoa para o arrependimento sincero.

É fato que o cristão enfrenta diversas batalhas na mente, batalhas contra a carne, mas em momento algum ele fica possesso, pois se assim fosse, a atuação do Espírito Santo não seria suficiente no eleito, por outro, lado, o autor aos Hebreus afirma que podemos apagar o Espírito Santo (Hb1:9), mas isso não é o mesmo que excluí-Lo do indivíduo.

3.3. MALDIÇÕES HERDADAS E QUEBRA DE MALDIÇÃO

3.3.1. A Quebra de maldição:

Ela pode se concretizar através de uma maldição de uma pessoa qualquer para um cristão, segundo a crença, uma frase ou palavra com sentido imprecatório pronunciada contra um determinado cristão, pode gerar infelicidade ou perturbar a vida da pessoa, é como se os demônios pudessem ter liberdade de ação na vida do individuo através de uma palavra pronunciada por um incrédulo, essa mesma linha crê que a plena felicidade de um cristão pode ser frustrada caso não quebre tal maldição no nome de Jesus. (LOPES,1997,p.40)

3.3.2. Maldição Hereditária:

Uma maldição que se transfere de geração para geração, eles se baseiam no texto de Ex 20:5, para se quebrar tal maldição é preciso saber o que aconteceu no passado para que então a pessoa identifique as pragas, maldições, pecados e pactos que de uma forma ou de outra a prejudicou, após descoberto a pessoa anula e rejeita essa maldição. (LOPES,1997,p.40)

3.3.3. Refutação: 

“A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.” (Ezequiel 18:20)
“Desviar do pobre a sua mão, não receber usura e juros, cumprir os meus juízos, e andar nos meus estatutos, o tal não morrerá pela iniqüidade de seu pai; certamente viverá.” (Ezequiel 18:17)
O pecado é individual conforme o texto de Ez 18:20 o filho não herdam os pecados de seus pais, cada um responde individualmente pelos seus erros, não é transferível geneticamente ou de qualquer outra forma.

3.4. MAPEAMENTO ESPIRITUAL

Mapeamento espiritual Consiste em mapear a cidade descobrindo os pontos de atuação de satanás, é feito no local uma análise geográfica e cultural das práticas dos habitantes, o fim principal desse mapeamento espiritual é descobrir o “trono de satanás”, a localização desse trono pode ser feita por intervenção divina também, ou seja, Deus mostra em sonhos, visões. Esse suposto “trono” pode ser localizado também por pessoas que perceberam através de uma opressão a atuação de satanás. (LOPES,1997,p.36)

3.4.1. Refutação:

A Bíblia não mostra Paulo exortando a igreja primitiva para fazer um mapeamento espiritual das cidades onde moravam. Jesus não dá ensinamentos no sermão do monte a respeito da nomenclatura de demônios, Pedro em suas epístolas também não comenta nada sobre essas questões. (VARGENS,2009).

Outra questão crucial foi que Jesus fez diversos exorcismos na Judéia e Galiléia, e mesmo assim o povo continuou pecando e não crendo no Messias (LOPES, 1997, p.68), sendo assim, Jesus não serviria como base para que o mapeamento espiritual funcionasse. 

No V.T Miguel aparece como guardião de Israel, já no N.T Miguel é apresentado como defensor da Igreja, sua área de atuação não é mais Israel como no V.T, agora se estende a qualquer lugar em que a Igreja esteja, tendo por missão liderar as hostes angelicais contra satanás e seus anjos,
No livro de Daniel de fato os demônios aparecem relacionados a territórios demarcados, mas no N.T não são mais limitados geograficamente, muito mais agora, o mundo todo é o campo de ação do principal inimigo de Deus.   (LOPES, 1997, p.68)

4. PONTOS POSITIVOS DESSE MOVIMENTO

Corretamente os adeptos desse movimento creem na realidade das forças do mal, muitas vezes os cristãos não atentam para a realidade espiritual que de fato existe e é atuante, o diabo quer cegar o povo de Deus ocultando a realidade espiritual, e vemos pela frieza de muitos cristãos que ele tem obtido êxito. Devemos ter consciência e reagirmos de forma saudável e bíblica a esses levantes do inimigo. Deus usa sim esses movimentos para abrir nossos olhos quanto a essas realidades, claro que há o que se aprender com o pentecostalismo.

Não podemos negar também a preocupação desse movimento quanto ao anúncio do Evangelho, deve sim ser reconhecido o zelo, o fervor pelo anuncio da salvação, essa atitude envergonha muitas igrejas tradicionais (e eu também), pois a frieza nos torna pessoas sedentárias espiritualmente que se tornam anestesiadas com as coisas sagradas. (LOPES, 1997, p.43)

5. PONTOS NEGATIVOS DESSE MOVIMENTO

O movimento de “batalha espiritual” tem seus ensinos um tanto que equivocados, por exemplo a falsa ideia de “mapeamento espiritual”, não há  referência Bíblica que apoie essa proposta, não há também trono local de satanás. Não está registrado biblicamente instrução para combater ou determinar a queda de “espíritos estruturais” (LOPES, 1997, p.45).

O pragmatismo (validação de um princípio pelos resultados adquirido, independente dos meios), não é saudável, essa prática fere muito as igrejas, pois não gera uma estabilidade na pessoa, isso acontece por falta de uma base bíblica e doutrinal, como conseqüência disso os membros dessas igrejas se tornam inconstantes e muitas vezes se frustram quando se deparam com algumas dificuldades decorrentes do dia a dia. O resultado é uma igreja rotativa, na qual entra membros a procura de solução para seus problemas, e saem membros por não terem dado conta de suprir suas necessidades.

6. COMO TESTEMUNHAR AOS ADEPTOS DESSE MOVIMENTO

Devemos respeitá-las como pessoas que são eleitas, ou então pessoas que já ouviram sobre o Evangelho, mas que estão longe dos princípios bíblicos. A maioria dessas pessoas conhece a Jesus e sua obra redentora, nesse caso não deve ser enfatizado tanto a questão da salvação, e sim um discipulado para doutrinar essas pessoas nas Sagradas Escrituras, é um processo lento de estudo da Palavra que abre os olhos da pessoa, e que faz com que ela por si só enxergue o erro.

Pessoas adeptas a esse movimento normalmente são flexíveis, no que se refere ao frequentar de igrejas, como foi dito e explicado acima nos “Pontos negativos”, elas necessitam de acompanhamento, de integração social, amizades, de literaturas sadias e coerentes com as Escrituras,


8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 


LOPES, Augusto Nicodemos. O que você precisa Saber Sobre Batalha Espiritual: São Paulo: Editora Cultura Cristã, 159 p.

 WIKIPEDIA. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Taylor>. Acessado em 26 set. 2010. 1p.

Elias R. de Oliveira. Batalha Espiritual. Disponível em http://www.vivos.com.br/246.htm >. Acessado em 22 set. 2010.

MACARTHUR, John. Nossa Suficiência em Cristo: três influências letais que minam a sua vida espiritual. Tradução de Editora Fiel. 2. ed. São Jose dos Campos. Editora Fiel, 2009. 252 p.

SILVA, Menezes de. A "Almeida Atualizada" Exposta. Disponível em <http://solascriptura-tt.org/Bibliologia-Traducoes/AAlmeidaAtualizadaExposta-Helio.htm >. Acessado em 22 set. 2010. 
GILLEY, Gary E. Angelologia, a doutrina dos anjos [bons e maus]. Disponível em <http://www.solascriptura-tt.org/Angelologia/AngelologiaDoutrinaAnjos-Gilley.htm >. Acessado em 22 set. 2010. 

RIFFE, Ron. Mais ensinos sem base bíblica do movimento de sinais e maravilhas. Disponível em <http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=1383 >. Acessado em 24 set. 2010. 

VARGENS, Renato. Disponível em <http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PTBR&article=2046&menu=7&submenu=4>. Acessado em 26 set. 2010. 1p.
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia de Estudo de Genebra. 2.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2009. 1920 p. 

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